quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Andar a cavalo em Kathmandu




No sábado de manhã os rapazes convidaram-me para ir andar a cavalo. Pegaram nos arreios e na sela e lá fui atrás deles por montes e vales e atravessando pontes improvisadas, atravessando arrozais  até chegarmos ao terreno onde o cavalo estava a pastar. Com muito cuidado ajudaram-me a subir para o dorso do cavalo e assim ue me viram em cima dele ficaram todos contentes e começaram a passear-me tirando-me imensas fotografias com a minha máquina.
Estão sempre com vontade de me agradar e fazem-no com toda a naturalidade. Foi uma manhã muito divertida!






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Preciso de amor e carinho





Quando cheguei ao orfanato New Children´s Home, o que mais me impressionou foi a necessidade de amor e carinho destas crianças. Todas me queriam dar a mão, abraçar, falar, sobretudo as mais novas que ainda não conseguem reprimir as emoções.
- Sister, sister!!! Gritavam e agarravam-me a mão e as pernas numa tentativa de me sentir, de receber amor de quem lhes sorri e lhes dá atenção. Mas, elas são tantas e eu apenas tenho duas mãos e duas pernas!
São quarenta e duas crianças! E a maioria entre os 6 e os 12 anos… tão pequeninos ainda!
Saraswoti a minha protegida, corre para mim quando me vê. Pego-a ao colo apesar de ter 8 anos, pois tem peso pluma. Já fala, já tagarela, mas o que mais deseja de mim é pedir-me coisas: biscuits, grapes, bananas… O desejo de comida é tão grande que não consegue conter a vontade de pedir, pedir, pedir.
Os mais velhos tomam conta dos mais novos, mas estes também não sabem o que é amor. No entanto há uma coisa eles têm que aprecio muitíssimo: São muito respeitadores e acatam todos os pedidos dos pais adoptivos: se é preciso faltar à escola para levar um “ irmão” ao hospital prontificam-se logo, se é necessário lavar roupa, lavar loiça, ficar em casa a cozinhar porque a mãe teve de sair, acatam e nunca oiço ninguém refilar ou responder negativamente.
Podem não ter muita atenção e carinho dos pais adoptivos, por serem tantos, mas vê-se que sentem uma grande divida de gratidão para com estes pais que lhes proporcionam uma casa, comida e educação.



Apenas uma casa de banho para todos. Duche nem pensar, uma mangueira no quintal!
Antes das refeições, eu são apenas duas, às 8 da manhã e às 6.30 da tarde, lavam as mãos na mangueira no quintal e as mãos estão sempre geladas. Claro que o ranho nos narizes é uma constante bem como a tosse.  
Pasta de dentes, champô e sabonete já acabaram. Esperam eu algum voluntário lhes ofereça. As condições de higiene são limitadas o dinheiro também.
Outra coisa que me impressionou foi ver as condições em que estas crianças vivem.
As raparigas são catorze e vivem num pequeno quarto com dois beliches de casal que ocupam o espaço todo. Dormem quatro em cada cama. Com os rapazes passa-se o mesmo.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Saraswoti a menina que não queria falar





Saraswati não falava. Se lhe perguntavam alguma coisa olhava o vazio e não respondia. Refugiava-se num mundo de vacuidade para se proteger. Há 3 semanas que estava com febre e não melhorava. Todos os meninos do orfanato comiam, riam e iam à escola, e Saraswati ficava sozinha em casa.
Desde o primeiro momento que senti uma grande compaixão por aquela menina de 8 anos de olhar perdido, que ardia em febre, não falava e ficava debaixo dos cobertores enquanto as outras meninas se vestiam alegremente para ir para a escola.
Ofereci-me logo para a levar ao médico e pagar todas as despesas. À saída de casa a “mãe” disse-lhe para não me largar a mão. A mão dela era como uma folha de árvore murcha, sem vida, sem peso, sem vontade, sem nada querer. Os pés arrastavam-se ao longo do caminho e percebi que se sentia muito cansada.
Perguntava-lhe se estava bem, mas ela nada dizia. Sentia o meu coração muito, muito apertado enquanto nos dirigíamos de autocarro para a clínica.
Quando chegámos a Bouddha, uma zona turística com muitas lojas, perguntei-lhe se queria uma pulseira e ela acenou que sim. Comprei-lhe uma pulseira que enfiou no braço, mas o seu olhar não manifestou grande alteração, embora pudesse sentir o seu contentamento.
Chegámos perto de um bando de pombos onde uma mulher vendia milho, e foi apenas quando lhe comprei milho para dar aos pombos que sorriu pela primeira vez. Estava encantada a ver as aves sobrevoá-la e sorria muito ao de leve, mas sorria.
Na clínica os médicos falavam gentilmente com ela, mas Saraswati não respondia. O olhar continuava perdido no vazio, enquanto os olhos brilhavam de febre.
Foi tirar sangue, fazer radiografia e prova de tuberculina. Nunca pestanejou, nunca deu um ai, nem quando lhe espetaram a agulha no braço por duas vezes.
As lágrimas corriam-me pela cara. Esta menina não tinha emoções. Esta menina não queria sentir nada. Parecia forte por fora, mas tão frágil e vulnerável por dentro, tão à mercê de tudo e de todos. Pensei em todas as meninas como ela que são levadas das ruas ou das suas aldeias para os bordéis na India onde os homens as obrigam a fazer todos os favores sexuais desde terna idade.
Comprei-lhe um livro infantil e quando chegámos a casa já todos os meninos tinham chegado da escola, e pediam a minha atenção para os ajudar nos trabalhos de casa. Foi nessa altura que Sarawati me chamou com um sorriso nos lábios:
-“Sister, sister. Look I can read! E começou a ler o livro em inglês baixinho, com um pequeno sorriso nos lábios e um ar de grande contentamento.

Nessa noite não consegui dormir. Só pensava em ajudar a pequena Saraswati a ficar boa e a voltar a sorrir.


Hoje voltamos ao médico para ver o resultado dos exames. Resolvi estragá-la com mimos. Mal saímos de casa , pediu-me para lhe comprar um pacote de batatas fritas. Percebi que já se sentia mais à vontade comigo. Em Bouddha Fomos ao Flavour´s um restaurante para turistas beber chá e comer bolo de chocolate. Depois do médico fomos a minha casa onde fiz esparguete com molho de tomate e azeitonas,que devorou  embora não tivesse gostado das azeitonas. Descansou na minha cama e percebi que estava muito contente de ver o meu quarto e o apartamento. Como chovia e tinha os pés molhados comprei-lhe uns sapatos imitação da Nike em cor-de-rosa que adorou, umas meias quentes com um urso e uns ganchos da Hello Kitty. Compramos mais um livro. Estraguei-a com mimos, como se fosse minha filha. Esta menina podia ser minha filha, podia ser filha de qualquer um de nós…mas quis o destino que os seus pais não pudessem cuidar dela; o pai passava longos períodos longe de casa a trabalhar na India e a mãe enlouqueceu, andando com Sarawati bébé nas licheiras à procura de comida. Saraswati é uma das milhares de crianças nepalesas desprovidas de amor e cuidados maternos.
Prometi a mim mesma que enquanto aqui estivesse a iria proteger e mimar.
Quem sabe qual será o seu destino… 


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ainda há heróis!


Bikum o "pai" do orfanato

Bikum é um homem com um dos sorrisos mais bonitos que jamais vi.
O seu olhar transborda doçura e profundidade enquanto a sua postura é de um homem de carácter forte e humilde. Não pede nada, apenas deseja dar.
Há 10 anos fundou o orfanato “New Children’s Home” um lar que acolhe crianças da rua e órfãos. Ele próprio foi um menino marginal. Saiu da sua aldeia aos 11 anos por não haver dinheiro para o alimentar e durante 4 anos viveu a vadiar pelas ruas de Kathmandu. Com uma força interior muito grande, fundou sozinho aos 25 anos uma casa onde albergou 12 crianças órfãs. Desde então o seu único objectivo é o de reabilitar o maior número de crianças em risco.
Urmila uma bonita mulher de 28 anos, mostrando um sorriso de dentes muito brancos, confessa-me:
- Estas 42 crianças são todas minhas filhas e filhos!
Outra heroína, pois todos os dias tem de cozinhar para estes 42 meninos e manter toda a organização doméstica do lar.
 As crianças levantam-se às 6 da manhã e começam a sua rotina:
Lavar os dentes ( sem pasta de dentes, pois acabou), escovar os cabelos, vestir os uniformes da escola, limpar o quarto, ajudar a cozinhar e a lavar a loiça, ajudar os mais novos nas suas várias tarefas.
Os uniformes estão rotos, faltam-lhes botões, os fechos estão partidos, os collants rotos nos dedos dos pés, mas não importa, o que importa é ir para a escola onde poderão obter uma educação que os possibilite a vir a ter um dia uma vida melhor.
O pequeno-almoço às 8.00h é arroz com uma sopa de legumes.
Na mala da escola levam umas bolachas ou um pacote de massa instantânea, este será o seu almoço. O jantar será novamente arroz com legumes. Não comem muito mais que isto. Mas não  importa, esta casa dá-lhes comida,amor e educação, de outra forma estariam nas ruas de Kathmandu a pedir esmola ou a cheirar cola para enganar a fome.
Às 9.00h vão em fila indiana para a escola, os,mais velhos dão a mão aos mais novos. A alegria é geral.



lavar os dentes na rua às 7 da manhã

Neste pequeno quarto com 2 beliches dormem 14 raparigas

Alisha ajudada a ser vestida por uma mais velha

A alegre Sanita

Usha

Saraswoti com febre na cama

A pequena Tenzin de 8 anos


Anish e Anisha


Anisha e Sunika com Shanti atrás

Urmilla a " mãe" cozinha o pequeno almoço para a familia

A primeira inicial do meu nome é escrita no prato de arroz

Os meninos tomam o pequeno almoço já com os uniformes vestidos

As refeições são tomadas na rua sob o olhar atento de Bikum



Sunita motra o seu pequeno almoço


Os mais velhos ajudam a lavar a loiça no quintal

Sempre com um largo sorriso Urmilla abraça as suas crianças
Sabina, Anish, Jiban e Bishnu

JIban com Bishnu ao colo e Anish

Os pequeninos lavam as mãos depois do pequeno almoço
Rabina, Binod, Akaram e Nisha
A " mom" Urmilla distribui bolachas pelas crianças para almoçarem
Paródia de manhã antes de irem para a escola

Já na rua a caminho da escola a alegria é geral










sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A escola de Saru e Pramod




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Praticas matinais de cânticos e exercícios fisicos


Saru Khakurel uma jovem de 30 anos directora da escola

Saru fala com as crianças