Quando cheguei ao orfanato New
Children´s Home, o que mais me impressionou foi a necessidade de amor e carinho
destas crianças. Todas me queriam dar a mão, abraçar, falar, sobretudo as mais
novas que ainda não conseguem reprimir as emoções.
- Sister, sister!!! Gritavam e
agarravam-me a mão e as pernas numa tentativa de me sentir, de receber amor de
quem lhes sorri e lhes dá atenção. Mas, elas são tantas e eu apenas tenho duas
mãos e duas pernas!
São quarenta e duas crianças! E a
maioria entre os 6 e os 12 anos… tão pequeninos ainda!
Saraswoti a minha protegida,
corre para mim quando me vê. Pego-a ao colo apesar de ter 8 anos, pois tem peso
pluma. Já fala, já tagarela, mas o que mais deseja de mim é pedir-me coisas: biscuits, grapes, bananas… O desejo de
comida é tão grande que não consegue conter a vontade de pedir, pedir, pedir.
Os mais velhos tomam conta dos
mais novos, mas estes também não sabem o que é amor. No entanto há uma coisa
eles têm que aprecio muitíssimo: São muito respeitadores e acatam todos os
pedidos dos pais adoptivos: se é preciso faltar à escola para levar um “ irmão”
ao hospital prontificam-se logo, se é necessário lavar roupa, lavar loiça,
ficar em casa a cozinhar porque a mãe teve de sair, acatam e nunca oiço ninguém
refilar ou responder negativamente.
Podem não ter muita atenção e
carinho dos pais adoptivos, por serem tantos, mas vê-se que sentem uma grande
divida de gratidão para com estes pais que lhes proporcionam uma casa, comida e
educação.
Antes das refeições, eu são
apenas duas, às 8 da manhã e às 6.30 da tarde, lavam as mãos na mangueira no
quintal e as mãos estão sempre geladas. Claro que o ranho nos narizes é uma
constante bem como a tosse.
Pasta de dentes, champô e
sabonete já acabaram. Esperam eu algum voluntário lhes ofereça. As condições de
higiene são limitadas o dinheiro também.
Outra coisa que me impressionou
foi ver as condições em que estas crianças vivem.
As raparigas são catorze e vivem
num pequeno quarto com dois beliches de casal que ocupam o espaço todo. Dormem
quatro em cada cama. Com os rapazes passa-se o mesmo.
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