Conhecemo-nos num concerto de
música clássica indiana domingo à noite. Talvez com 40 e poucos anos, rosto comprido com bigode e
olhar profundo, pergunta-me:
- Estás a gostar?
- Sim, adoro música clássica indiana.
Após cinco minutos de conversa,
Sandeep convida-me para tomar o pequeno-almoço em casa dele no dia seguinte e
despede-se. Fico com Berkeley, uma amiga dele australiana com quem vou jantar a
seguir ao concerto.
Chego por volta das 9 e meia. Na
cobertura de um prédio de 3 andares, está uma toalha no chão, rodeada de
almofadas e várias taças com flocos de arroz, fruta, iogurte e bolas e corações
de cereais presados.
Os convidados vão chegando: Bába,
um guru indiano com a sua discípula, uma francesa de meia-idade convertida ao
hinduísmo. Cat, uma jovem americana, de voz arrastada e sensual em busca de um
ashram onde ficar uns meses; Mickael um jovem suíço a aprender cítara em
Varanasi, Berkeley a australiana simpática e eu.
Sandeep vive humildemente num
quarto neste prédio; praticante fervoroso do hinduísmo, é um homem com um
coração de ouro sempre disposto a dedicar-se aos outros. Pergunto-lhe se não
come nada e ele diz-me que às segundas-feiras, dia da Lua, jejua. Era
segunda-feira.
Tomei o pequeno-almoço com ele,
passeamos de barco toda a tarde e jantámos juntos em casa de Berkeley. Constato
rapidamente que este homem tem um coração de ouro!
Com uma grande abertura de
espirito, vasta cultura geral, formação em turismo, convida pessoas de todos os
credos para sua casa, mostrando sempre preocupação com o nosso bem-estar.
Discreto e misterioso, é o primeiro a entabular uma conversa ou a dizer uma
graça para manter os convidados à vontade. Mostra-me um panfleto escrito em
hindi e inglês que gosta de distribuir pelas pessoas, que diz:
“ Os rios e ribeiros, a flora e a fauna, os
pólipos e todas as criaturas existentes na terra bem como a humanidade, são uma
única Família. Se estes deixarem de existir nós homens também deixaremos de
existir. Mantenham a vossa mente limpa e saudável!”
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