quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Chegada a Kathmandu!



Cheguei ao Nepal vinda da India há uma semana. A viagem de autocarro da fronteira até Kathmandu foi surrealista. São cerca de 250 km. Entrei no autocarro às 5 da tarde e cheguei a Kathmandu às 6 da manhã. Foram 13 horas, nem dá para acreditar !!! O que vale é que estes retiros de meditação que fiz ensinaram-me a ter uma paciência infinita. O autocarro parava em todas as terrinhas para angariar mais passageiros e vendem bilhetes no chão, isto é, se não há mais lugares sentados põem uns banquinhos no corredor e vão sentados de cócoras. Entretanto, param para fazer xixi, para jantar e, de repente pararam à uma da manhã, porque o motorista precisava de descansar. Estávamos a cerca de 30 Km de Kathmandu. Dormiu cerca de 2 horas e meia. Nesse momento comecei a ter um bocado de claustrofobia. O autocarro estava cheio de gente, sobretudo homens, alguns puseram-se a ressonar, outros a comer e a arrotar, o cheiro a comida e a gente começava a aumentar, o lugar onde eu ia sentada era muito estreito e não conseguia esticar as pernas, o homem ao meu lado ressonava. Felizmente consegui acalmar-me rapidamente. Abri a janela para respirar e apanhar ar, tirei o computador da mochila e, apesar do cansaço, comecei a escrever mails, pois não conseguia, nem me apetecia dormir.
O Nepal é assim. Tudo funciona muito mal. O país tem cortes de electricidade na ordem das 16 horas por dia. Quando não há electricidade tudo pára. Embora algumas lojas e hotéis tenham geradores, a maioria não tem, portanto, se queremos tirar uma fotocópia, ir a um cabeleireiro lavar e secar o cabelo, carregar o computador ou o telemóvel não se consegue. Tem cerca de 100 feriados por ano. Um terço do ano. sS pessoas são muito pouco profissionais e acima de tudo, Querem-nos sempre enganar, sobretudo com os preços que não são fixos. A honestidade, sobretudo nos comerciantes e classe política é algo pouco. No entanto a maioria das pessoas são muito simpáticas, sorridentes e hospitaleiras.
As ruas não são asfaltadas, são em terra batida, portanto o pó é imenso. Os automóveis e sobretudo os autocarros e táxis são antigos, os escapes deitam gases por todos os lados, ficamos rapidamente intoxicados pelo pó e pelos gases. Os autocarros levam sempre o dobro da capacidade das pessoas, os assentos e as suspensões estão estragados, enfim, tenho as costas feitas num oito! Pois tenho andado de autocarro ( cerca de 20 cêntimos cada viagem ) para poupar dinheiro dos táxis que são caros.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Passeio de barco ao fim da tarde


















Um coração de ouro!




Conhecemo-nos num concerto de música clássica indiana domingo à noite. Talvez com  40 e poucos anos, rosto comprido com bigode e olhar profundo, pergunta-me:
- Estás a gostar?
- Sim, adoro música clássica indiana.
Após cinco minutos de conversa, Sandeep convida-me para tomar o pequeno-almoço em casa dele no dia seguinte e despede-se. Fico com Berkeley, uma amiga dele australiana com quem vou jantar a seguir ao concerto.
Chego por volta das 9 e meia. Na cobertura de um prédio de 3 andares, está uma toalha no chão, rodeada de almofadas e várias taças com flocos de arroz, fruta, iogurte e bolas e corações de cereais presados.
Os convidados vão chegando: Bába, um guru indiano com a sua discípula, uma francesa de meia-idade convertida ao hinduísmo. Cat, uma jovem americana, de voz arrastada e sensual em busca de um ashram onde ficar uns meses; Mickael um jovem suíço a aprender cítara em Varanasi, Berkeley a australiana simpática e eu.
Sandeep vive humildemente num quarto neste prédio; praticante fervoroso do hinduísmo, é um homem com um coração de ouro sempre disposto a dedicar-se aos outros. Pergunto-lhe se não come nada e ele diz-me que às segundas-feiras, dia da Lua, jejua. Era segunda-feira.
Tomei o pequeno-almoço com ele, passeamos de barco toda a tarde e jantámos juntos em casa de Berkeley. Constato rapidamente que este homem tem um coração de ouro!
Com uma grande abertura de espirito, vasta cultura geral, formação em turismo, convida pessoas de todos os credos para sua casa, mostrando sempre preocupação com o nosso bem-estar. Discreto e misterioso, é o primeiro a entabular uma conversa ou a dizer uma graça para manter os convidados à vontade. Mostra-me um panfleto escrito em hindi e inglês que gosta de distribuir pelas pessoas, que diz:
 “ Os rios e ribeiros, a flora e a fauna, os pólipos e todas as criaturas existentes na terra bem como a humanidade, são uma única Família. Se estes deixarem de existir nós homens também deixaremos de existir. Mantenham a vossa mente limpa e saudável!”





sábado, 12 de janeiro de 2013

Varanasi, banhada pelo eterno rio da vida



No céu volteiam milhares de papagaios multicolores enquanto na água os barcos de peregrinos deslizam silenciosamente pelas águas do Ganges.
Ao nascer do sol milhares de pessoas banham-se nas águas do rio Ganges para se purificarem dos seus karmas enquanto centenas de corpos são cremados no Manikarnika Ghat e as cinzas atiradas ao rio…
Varanasi, uma das cidades mais antigas do mundo é banhada  pelo rio Ganges que serpenteia e a abraça. É a cidade de 330 milhões de deuses, dos ashrams e onde se debatem ideias e se fazem exercícios espirituais e físicos. Foi junto a esta cidade que Buda veio fazer o seu primeiro sermão após ter atingido a iluminação…
Milhares de templos hindus e muçulmanos com as suas cúpulas e minaretes de cor ocre e vermelha proliferam nesta cidade sagrada.
Ao longo das suas margens os sadhus com a tika amarela na testa fazem as suas preces e exercícios espirituais ao nascer do sol em posição de lótus.
Sinto uma atracção especial por esta cidade mágica e fervilhante! Quando me passeio de rikshaw pelas suas artérias não consigo deixar de me sentir excitada pela sua energia, pela arquitectura moghul e hindu de portas e janelas rendilhada, pela lojas fervilhando de indianos de cócoras cozinhando chamuças, panners, das…., enquanto no ar vibram estridentemente as buzinas dos tuc-tucs e rikshaws, e a luz do sol é turvada pela poeira que dança no ar.
Não sei porquê mas apetecia-me ficar por aqui durante semanas apenas para observar e a dencantar a magia desta cidade.

peregrinos ao longo do rio



transito para ir até Dasashwamedh Ghat




barcos de peregrinos








Marigolds para fazer oferendas ao rio

papagaios no ar










Lenha empilhada junto ao rio para as cramações

Chaffeur de rickshaw e eu