Cada dia que passa em Kathmandu é uma nova aventura. Os
dias são grandes, cheios de novidades, completos de novas experiências.
Hoje foi um desses dias. Comecei o dia no mosteiro Bairoling em Tijuling, na companhia de um jovem e
extrovertido lama (monge) de nome Pema. Tinhamos combinado visitar Budha
juntos, mas disse-me que tinha um compromisso e que por isso me ia apresentar a
um colega seu, lama Mingyur, de aspecto mais reservado mas não menos agradável,
afirmando que este seria o meu guia em Boudha.
Passei assim o dia na companhia de um jovem monge budista
oriundo do Ladak na India, que me mostrou o local mais sagrado de todo o Nepal:
a stupa de Boudhanath.
No seu interior estão guardadas as relíquias dos mestres
mais famosos do budismo tibetano, sendo por isso um local de peregrinação
obrigatório. È também um local onde vivem muitos refugiados tibetanos.
A stupa é enorme e redonda, os seus olhos igualmente
grandes fixam-nos de qualquer angulo…é Budha que nos diz: Eu estou sempre em
vós!
Neste local sagrado mas também mágico, inspira-se uma
atmosfera de grande energia, uma energia contagiante, em constante movimento, pois
todas as pessoas circulam à volta da stupa no sentido do ponteiro dos relógios,
sem nunca parar, como uma verdadeira roda humana e giratória.
Os tibetanos são um povo muito religioso e sente-se um
grande fervor no ar. Circulam com a mala na
mão, rezando e fazendo várias prostrações enquanto circulam. A energia é mais
intensa de manhã antes de irem trabalhar e ao final do dia, quando regressam.
Ouve-se repetidamente a oração: OM MANI PADME HUM. È o
mantra que está inscrito em todas as rodas de oração colocadas à volta da stupa.
Assim, o mantra está em constante vibração, nas rodas, nas orações, nas
bandeiras que esvoaçam ao vento, nas pombas da paz circulam em seu redor. É um
local onde se sente uma energia muito positiva e de grande comoção.
Lama Mingyur obrigou-me a seguir todos os rituais:
colocar incenso no incensário e colocar uma vela no reliquário por cada membro
da minha família e da sanga (comunidade budista) enquanto dizemos o mantra.
Almoçámos num restaurante tibetano, dois pratos
vegetarianos de batata ralada e estufada com pimentos e outro de tofu estufado
com tomate e algas. Muito bom!
Despedimo-nos por volta das três e meia da tarde e
resolvi entrar num centro de massagens que me tinham recomendado e submeti-me a
uma massagem aos pés e ao corpo verdadeiramente extasiante e relaxante.
Apanhei um táxi para o convento e deitei-me a dormir com
uma maravilhosa sensação de ter passado um dia em cheio.